Uma boa identidade visual para psicólogos parte da abordagem, do público e do jeito de atender de cada profissional, e não dos símbolos genéricos da profissão. Além disso, ela precisa respeitar as regras de divulgação do Conselho de Psicologia, que pedem nome e CRP e proíbem promessa de resultado. Se quiser rever o conceito antes, explicamos o que é identidade visual em outro post.
Por que o Ψ e o cérebro não diferenciam a sua marca
Na psicologia, alguns símbolos aparecem o tempo todo: a letra grega psi (Ψ), o cérebro, a cabeça de perfil, a borboleta e o quebra-cabeça. Eles avisam que o assunto é psicologia. No entanto, não dizem nada sobre você.
O problema é prático. Quem procura terapia costuma comparar vários perfis antes de marcar a primeira sessão. Se todos usam o mesmo Ψ, a pessoa não lembra qual perfil era o seu. Por isso, nos nossos projetos, o símbolo nasce de algo próprio: as iniciais, um conceito da abordagem ou a forma como a profissional descreve o processo terapêutico.
Identidade visual para psicólogos e as regras de divulgação
A publicidade na psicologia segue o Código de Ética Profissional do Psicólogo. Em 2026, o Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais publicou a 2ª edição da sua cartilha de publicidade profissional, que organiza essas regras. Alguns pontos afetam o design diretamente:
- Nome e CRP: logomarcas e artes são permitidas, desde que acompanhadas do nome completo ou social, da palavra psicóloga ou psicólogo e do número do CRP. Por isso, desenhamos uma versão da assinatura com uma linha para o CRP, legível também nos posts.
- Preço: o valor não pode servir de propaganda, e isso inclui descontos, pacotes e sorteios. Assim, o kit de redes sociais não deve ter templates de promoção.
- Resultados: a cartilha veda prometer resultados e usar sensacionalismo. Isso vale também para slogans e frases de capa.
- Dr. ou Dra.: o título só pode aparecer para quem tem doutorado. Então, ele não deve entrar no nome da marca sem essa formação.
- Práticas não reconhecidas: a psicologia não pode aparecer associada a astrologia, tarot ou reiki. Por isso, evitamos códigos visuais esotéricos que sugiram essa ligação.
Não somos advogadas, e cada conselho regional pode detalhar as orientações de um jeito. Portanto, antes de lançar a marca, confira as regras do CRP da sua região.
Comece pela abordagem e pelo público
Duas psicólogas podem atender o mesmo tipo de queixa e, ainda assim, precisar de marcas muito diferentes. Por isso, no briefing, fazemos perguntas como estas:
- Qual é a sua abordagem, e como você explica o seu trabalho para quem nunca fez terapia?
- Quem você atende: adultos, crianças, casais ou empresas?
- O atendimento é presencial, on-line ou os dois?
- Que palavras os pacientes usam para descrever a experiência com você?
As respostas definem o tom. Por exemplo, o público infantil aceita cores mais vivas e formas mais lúdicas, enquanto um consultório de psicanálise pode pedir mais sobriedade e espaço em branco. Da mesma forma, quando o atendimento é só on-line, a marca aparece quase sempre em telas pequenas, e o símbolo precisa funcionar como foto de perfil.
Nas imagens abaixo, reunimos aplicações de quatro projetos de psicologia do nosso portfólio. Repare que nenhum deles usa o Ψ ou o cérebro. A identificação vem do conjunto de símbolo, cor, grafismo e tipografia aplicado em papelaria, embalagens e redes sociais.










Identidade visual para psicólogos na prática: três projetos
Na identidade visual da Vivyanne Farias, o trabalho foi um redesign. O objetivo era atualizar a marca com uma linguagem mais acolhedora e contemporânea. Assim, refinamos o símbolo para transmitir leveza, redesenhamos a tipografia e criamos uma padronagem orgânica que representa as camadas do processo terapêutico, com tons neutros e destaque em verde-musgo.
No caso da Raquel Rios, o símbolo parte das iniciais R e R, conectadas para representar o encontro entre terapeuta e paciente e o autoconhecimento. Além disso, a paleta em tons sobre tons e os grafismos inspirados em parênteses e ondas reforçam a ideia de fluidez.
Já para a Marina Magalhães, a letra M virou um símbolo abstrato que explora integração, mudança de perspectiva e incompletude, conceitos ligados à psicologia. A tipografia tem formas arredondadas, e a paleta neutra com rosa chá comunica acolhimento e elegância.
Os três projetos têm algo em comum: a decisão visual sai de uma ideia da própria profissional. Por isso, as marcas não se confundem, mesmo sendo da mesma área.
Quando a marca é de um grupo de estudos ou de uma clínica
Nem toda marca da área pertence a uma profissional individual. Para o grupo de estudos Pensando Winnicott, por exemplo, a identidade visual se inspira na Semana de Arte Moderna de 1922 e une arte, política e brasilidade. O símbolo junta a inicial de Winnicott a uma bandeirinha inspirada em Volpi, e a paleta é vibrante. Ou seja, um grupo de estudos pode assumir uma linguagem mais expressiva, porque fala principalmente com colegas de profissão.
Numa clínica com vários profissionais, a lógica muda de novo. A marca é da clínica, e cada psicólogo aparece com nome e CRP nas peças. Além disso, a cartilha do CRP-MG lembra que a pessoa jurídica também precisa de registro no conselho e de um responsável técnico.
Onde a identidade visual para psicólogos aparece no dia a dia
Antes de aprovar a marca, vale testar cada elemento nos lugares onde o paciente realmente a encontra:
- a foto de perfil do Instagram e do WhatsApp, em que o símbolo ocupa poucos milímetros;
- os posts e stories, em que o CRP precisa acompanhar o nome (falamos mais sobre isso no post de identidade visual no Instagram);
- a placa da porta e a sala de espera do consultório;
- o cartão de visita e os documentos entregues ao paciente, como declarações;
- o site, em que, no atendimento exclusivamente on-line, a cartilha orienta informar o valor sem destaque.
Em todos esses pontos, a mesma combinação de cor, tipografia e grafismo deve aparecer. Se você atua em outra área da saúde, veja também o nosso guia de marca para médicos.
Criamos marcas desde 2014, e a psicologia é uma das áreas do nosso trabalho. Veja esses projetos no nosso portfólio ou peça um orçamento para a sua marca.
Perguntas frequentes
Pode. A cartilha do CRP-MG não proíbe o símbolo. No entanto, ele é muito comum na área, então funciona melhor como detalhe do que como o único elemento da marca.
Não precisa estar dentro do símbolo. Mas toda divulgação deve trazer o nome, a palavra psicóloga ou psicólogo e o número do CRP. Por isso, criamos uma versão da assinatura com essa linha.
Não existe regra de cor. A escolha depende do público e da abordagem: tons neutros combinam com consultórios de adultos, e cores mais vivas fazem sentido para o público infantil. O importante é que a paleta seja própria e usada com consistência.
Segundo a cartilha do CRP-MG, o título de Dr. ou Dra. só pode ser usado por quem tem doutorado. Sem essa formação, o ideal é usar nome e sobrenome com a palavra psicóloga.